SINOPSE: Arwen era uma simples jovem humana, vivendo em uma pacata vila e em meio a um povo cujo destino parecia entrelaçado ao dos dragões. Mas quando o Rei Dragão anuncia a busca por uma esposa capaz de conceder-lhe um herdeiro, a agitação toma conta das mulheres de sua aldeia, embora Arwen acreditasse estar a salvo da busca real: sua magia era apenas uma centelha comparada ao fogo necessário para seduzir um dragão.
Então, os farejadores de magia a convocam ao castelo como uma potencial esposa – a ironia de um destino que ela jamais almejou.
Mas antes de partir para a cidade de Jade, um segredo revelado por sua mãe transforma sua tranquilidade em cinzas: uma revelação imersa em magia e poder que, se descoberta pelo Rei, poderia levá-la a um destino pior do que a morte. Lutando contra a atração pelo charmoso e perigoso Rei Drae, Arwen se vê navegando em um jogo de encantos e perigos, no qual cada batida de seu coração pode denunciá-la mais que uma confissão.
E, à medida que uma sombra de guerra se apresenta no horizonte, uma escolha se impõe: até que ponto ela apostará no amor? Será que esse sentimento é capaz de domar a fera mais temida de Avalier ou ambos sucumbirão ao fogo que os ameaça?
O Último Rei Dragão é o primeiro livro da quadrilogia Reis de Avalier e apresenta uma fantasia que se ancora mais nos arquétipos clássicos do gênero do que em grandes rupturas narrativas.
Arwen é uma caçadora da Cidade de Cinza Forte, uma jovem cujo único objetivo é simples e concreto: sustentar a família e seguir com a própria vida da forma mais digna possível. Esse desejo básico entra em choque quando o Rei Dragão decreta que todas as moças que possuam sequer um fio de magia devem ser levadas ao Castelo de Jade, onde ocorrerá uma seleção para escolher aquela que lhe dará um herdeiro.
Arwen não acredita, em nenhum momento inicial, que será escolhida — até que seu poder desperta. A partir daí, a narrativa passa a questionar não apenas suas escolhas, mas também o lugar que ela ocupa naquele mundo. Do outro lado está Drae, um rei marcado pela perda, carregando no peito tanto o luto quanto o peso de governar um povo inteiro. Ele não é apenas um homem ferido, mas uma figura que se recusa a colocar desejos pessoais acima das responsabilidades da regência.
É justamente aí que o conflito entre eles se intensifica. Tudo se torna mais difícil porque Drae não se permite escolher por si mesmo, e Arwen é constantemente empurrada para o papel de quem precisa compreender, ceder e suportar.
A leitura é rápida e, em muitos momentos, até divertida. Ainda assim, o casal se torna um tanto enervante. Os desencontros entre Arwen e Drae são frequentes, quase excessivos, sempre justificados pelas obrigações, pelos deveres e pela ideia de que o sacrifício pessoal é inevitável. Eles entendem as responsabilidades, colocam-nas acima do que sentem, mas falham miseravelmente em controlar o vínculo que cresce entre eles. Apesar disso, não foi uma relação que me fez cair de amores — nem pela construção emocional, nem pela profundidade dos personagens.
Percebe-se com certa clareza que a autora é fã de obras como O Senhor dos Anéis, ACOTAR e O Povo do Ar. Isso, por si só, não é um problema. As referências são evidentes, mas a obra ainda consegue sustentar uma identidade própria e se mantém interessante dentro do que se propõe. Ainda assim, senti falta de um aprofundamento maior do mundo — especialmente da Cidade de Jade, que parece promissora, mas acaba servindo mais como pano de fundo do que como espaço vivo.
Um ponto positivo importante é Arwen. Gostei genuinamente do fato de ela não abaixar a cabeça, mesmo em seus momentos mais clássicos de “vou carregar toda a culpa e o sofrimento sozinha”. Há resistência ali, ainda que envolta em cansaço e abnegação, e isso torna a personagem mais suportável e, em certos momentos, admirável.
O final, no entanto, foi apressado. Dá a sensação clara de que a autora já queria seguir para o próximo livro. Não chega a ser confuso, mas é rápido demais para o peso que a história tenta construir. O último capítulo, narrado do ponto de vista de Drae, foi uma boa escolha e funcionou como um fechamento emocional mais interessante do que o clímax em si.
Agora, uma crítica leve — mas ainda assim crítica e necessária: em um universo escrito por uma autora branca, onde todas as continuidades da obra são, previsivelmente, compostas por personagens brancos, a única personagem preta de relevância narrativa morrer em sacrifício pelo “futuro do reino” é, no mínimo, cansativo. Esse tipo de escolha já não passa despercebido e pesa negativamente na leitura.
No fim, não sei se lerei o próximo volume.
Ainda assim, é um livro bom. Uma fantasia funcional, com um mundo ok, descrito de forma superficial — o que fica claro, já que o verdadeiro foco da narrativa é a história do Rei Dragão e o florescimento dos sentimentos de Arwen por ele, e não necessariamente o universo ao redor.
Nº páginas 224
Classificação +14

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