Nada destruirá a essência desse laço - mas quando ela se casa com outro homem, por convenções sociais, as consequências são irreparáveis para todos em volta.
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O Morro dos Ventos Uivantes foi um divisor de águas para mim.
Um romance obsessivo que expõe a personalidade e a essência ruim de cada personagem. À medida que a história se aprofundava, eu conseguia detestar cada vez mais todos eles. Cathy e Heathcliff são tão insuportáveis quanto as próprias vontades que os movem. Ainda assim, é compreensível o sucesso estrondoso dessa obra, principalmente considerando a época em que foi lançada. Mesmo assim, fiquei com sentimentos bastante confusos a respeito.
Ao mesmo tempo em que admiro a intensidade de tudo o que foi apresentado, não consigo sentir nada além de desgosto pelos personagens. A única que merece o mínimo de compaixão é a Nelly.
A versão que li tinha ilustrações belíssimas e posso dizer que, neste mês de março, O Morro dos Ventos Uivantes se tornou a leitura mais pesada — e provavelmente será a minha favorita do mês. Não é um livro para se devorar em um dia.
Na versão comentada, o português mais rebuscado enriquece muito a leitura e prende a atenção. Já na versão com imagens, mesmo com uma linguagem suavizada, a intensidade da história permanece.
Enfim, é um livro que faz pensar. Uma história sobre amores obsessivos, sobre caráter e sobre a natureza vil do ser humano. Talvez tenha sido justamente esse o fator que me fez continuar até o fim — e talvez seja esse mesmo fator que me impedirá de reler a obra.
Ainda assim, a leitura valeu muito a pena, e não era algo que eu esperava. Foi o primeiro clássico que li completamente às cegas e, sinceramente, pretendo repetir essa experiência mais vezes, tanto com obras internacionais quanto com nacionais. Redescobrir um livro que pode se tornar uma joia na estante é uma sensação que simplesmente não tem preço.
Pequena curiosidade literária: O Morro dos Ventos Uivantes é um daqueles romances que quase parecem um experimento psicológico sobre obsessão humana. Emily Brontë não escreve um romance para fazer o leitor amar os personagens — ela escreve para que o leitor observe a devastação emocional deles como quem encara uma tempestade. Bonita? Às vezes. Destrutiva? Sempre. E é justamente essa honestidade brutal que faz o livro sobreviver por quase dois séculos e ser tão amado pelos seu público fiel e, descoberto pela nova geração.
Nº páginas 376
Classificação +14

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